shaW explica convocação da seleção brasileira de VALORANT
A seleção brasileira de VALORANT para a Esports Nation Cup (ENC) 2026, enfim, foi oficialmente convocada nesta terça-feira (23). Mas quais os porquês por trás de cada um dos convocados? Em entrevista exclusiva ao THESPIKE Brasil (assista em vídeo abaixo), Ian "shaW" Jardim abriu o jogo sobre os critérios de escolha. O coach do Brasil explicou que se baseou em ter nomes experientes e capazes de render em momentos decisivos em um torneio como uma Copa do Mundo.
“Cara, acho que o processo começou primeiro entendendo o modelo de campeonato que a gente ia jogar porque, dependendo do modelo de campeonato, você consegue trazer um time e, dependendo do modelo de campeonato, outro time faz mais sentido. Então, primeiro, é um campeonato de tiro curto, é um campeonato rápido. A minha primeira avaliação foi buscar jogadores experientes que tenham vivido playoffs porque o ambiente do mata-mata é muito diferente. Então, às vezes, você pode ser muito bom e perceber que ainda não se testou nesse nível. Então você vai deixar para descobrir o seu primeiro playoff em um campeonato tão importante? Eu não acho que é o melhor que pode acontecer, ainda mais se for um time inteiro inexperiente”, justificou shaW.
“Então, o meu primeiro critério de decisão em relação à montagem da seleção foi entender o modelo de campeonato. Depois que eu entendi que o campeonato era um campeonato de tiro curto, aí eu já comecei a pensar em nomes sólidos, que já estão acostumados a jogar neste momento de campeonato porque eu acho que é um campeonato curto. Você não tem muito tempo para passar muitas coisas para um time, como se fosse um time que vai começar e vai grindar todos os aspectos básicos. Querendo ou não, é bem como a Copa do Mundo mesmo. Você tem que chegar ali com coisas básicas muito sólidas, compreensão de jogo, para que você não tenha que ficar ensinando ninguém a jogar. Eu acho que esse foi mais o meu critério”, completou.
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Em relação a cada um dos convocados, shaW justificou os motivos de cada um deles. Além disso, o treinador também explicou os porquês de não ter selecionado jogadores como Gabriel "cortezia" Cortez, Guilherme "blowz" Oliveira e Douglas "dgzin" Silva. Confira abaixo as justificativas de nome por nome.
➡ Sacy
shaW: “Começando pelo Sacy, eu acho que, quando eu escolhi ele, foi justo. Mas, ao longo desses últimos meses, eu acho que outro nome poderia ter sido colocado na discussão. Mas eu acho que, avaliando a transição do ano passado para este ano, se eu for olhar, eu tinha o cauanzin, que não estava muito bem, o mwzera, que tinha pedido para ir para o banco, e o restante dos jogadores ainda não tinha se solidificado na posição de Iniciador. E, do outro lado, eu tenho uma pessoa que escolheu se aposentar, que jogou e, durante todo o período em que esteve em atividade, sempre atuou em alto nível. E, para mim, diferente de outros jogos, o VALORANT ainda tem um componente muito importante: o jogador precisa entender sobre avaliações, precisa saber avaliar situações, momentos, como jogar, como lidar em equipe e tudo mais. E, querendo ou não, mesmo ele não sendo capitão, ele é um líder nato. As pessoas menosprezam a capacidade de liderança que, às vezes, você precisa ter dentro de um time. Às vezes, as pessoas podem achar que o arT deveria ser esse líder, só que não é uma possibilidade. Muitas vezes, você precisa ter mais de uma figura de liderança dentro do time. Eu entendo que, para cada time bom, você precisa ter pessoas para quem os jogadores olhem e falem: 'Cara, esse cara aqui é um líder. Se ele mandar eu jogar, eu vou jogar'. Então, eu acho que é um misto de coisas. Eu acho que o jogo não evoluiu a ponto de se tornar diferente daquilo que ele conhece. Ele é um cara que continua estudando o jogo, continua jogando. Óbvio, quando você não está jogando em um time, isso muda muito o seu ritmo. Então ele entende que esse é um gap que precisa cobrir. Mas eu acho que essa questão, principalmente na função de Iniciador, pesa muito, porque é um cara que dita muito do que vai acontecer dentro da partida. Então, por um momento, olhando para o histórico do que estava acontecendo, eu me senti forçado a encontrar alguém que fosse muito bom na função. E, procurando entre os nomes que eram muito bons na função, só tinha ele naquele momento. Um jogador com títulos, experiente, com muita noção de jogo e que tem essa presença de líder dentro do grupo. Você não precisa ser capitão para ser líder. Minhas considerações em relação a ele foram mais amplas. Ele era um misto de qualidades, não era só o jogo”.
➡ aspas
shaW: “Eu nunca joguei com o aspas. Conheço ele há muitos anos, desde que se tornou profissional. Conheci ele pessoalmente, mas não sou uma pessoa que tenha uma relação próxima com ele. Realmente, o contato maior é agora por causa da própria seleção. Mas o fato é que, para alguns metas, talvez ele seja a melhor pessoa possível no mundo para a função. Por exemplo, em um meta de Jett, ele é um cara que eu acho indiscutível. Se você for comparar nome por nome, posição por posição na Jett, ele é o melhor jogador de Jett que eu já vi jogar o jogo. Então, essa foi uma das considerações. A segunda consideração era que, todas as vezes que ele chegou para jogar um campeonato grande, realmente grande, ele teve desempenhos muito marcantes. E eu acompanhei esses momentos. Então eu sei que ele é um jogador que não treme em momentos decisivos. É um cara que eu considero muito estável. Eu entendo que ele estava passando por um momento meio conturbado no MIBR, mas também, quando vou olhar para a fase da carreira do jogador, considero o contexto. Se ele estiver vindo de um ano muito ruim, é uma outra observação. Eu acho que ele teve um hiato ali após o Kickoff. Talvez esse período não tenha sido tão bom, mas, pelo peso que ele carrega quando consegue jogar o seu jogo dentro dos playoffs, eu acho que ele é um jogador muito importante. Eu preciso de um jogador que seja decisivo. Para mim é sempre isso: se o meu Duelista não entra no jogo, ele tem muita dificuldade de ganhar o jogo. Então eu sei que ele é um cara cuja chance de entrar muito forte no jogo é maior do que a de não entrar. Então, a minha consideração é mais essa. Ele é um jogador com mais experiência, muito respeitado, acostumado com os momentos de campeonato e muito decisivo, em uma função que, invariavelmente, entra meta, sai meta, e continua sendo fundamental”.
➡ artzin
shaW: “O art é um garoto muito novo, mas ele nasceu para o jogo. Ele tem prazer em assistir ao jogo, tem prazer em conhecer outros times, ele gosta desse processo, desse estilo de jogo. Então eu me vejo com ele tendo uma boa relação. A gente entende o jogo mais ou menos pelo mesmo lado. Então eu vejo nele a sensação que eu tenho é a seguinte: hoje, se eu tivesse que apontar três dos jogadores mais impactantes do Brasil, ele estaria ali com certeza. Porque, em qualquer função para a qual ele migre hoje, consegue ter alto desempenho. Então eu acho que ele reúne muito do que você precisa em um capitão: alguém que entende profundamente o jogo e que também fragga. Realmente, o primeiro nome que veio à cabeça foi ele porque, quando você vira coach e tem um IGL, quando as ideias começam a bater, a relação vira muito uma simbiose. Você vê que ele pega minhas ideias, mistura com as dele e vice-versa. Então a gente confia muito um no outro. E eu sinto também que ele tem uma característica importante. Convivendo com ele, vendo o dia a dia e como ele se comporta em jogos importantes, ele é um cara muito calmo. Então, quando você tem um capitão que consegue ser muito calmo e ainda performar, você passa confiança para os outros. Ele já trabalhou com outros jogadores que estão aqui dentro do time. Já trabalhou com o aspas, por exemplo. Então entende mais ou menos como alguns processos acontecem com determinados jogadores. Acho que é um jogador que, além de ser um bom capitão, é muito impactante dentro do servidor”.
➡ Less
shaW: “Cara, conheço pouco o Less como pessoa, mas conheço muito do jogo dele. Obviamente, a gente conversa, mas conheço pouco dele fora do servidor. A única coisa que eu sei é vendo ele jogar: ele é o melhor Sentinela que eu já vi jogar esse jogo. Então a minha dúvida era se, na transição do final do ano passado para este ano, ele continuaria apresentando o mesmo nível de performance, já que saiu da LOUD para a Vitality e depois para a KRÜ. Mesmo quando você é um grande jogador, especialmente jogando em posições mais recuadas, você precisa que o seu time também performe para que suas atuações apareçam. E eu acho que ele foi além disso. Passou por cima desse contexto. Carregou o time em diversas situações. Então, pela forma como ele joga, se eu tivesse que comparar com a principal dúvida para a posição de Sentinela, era ele, o cortezia e o luk xo. Eu acho que ele reúne tudo de bom que os outros jogadores fazem. Para mim, o principal problema dele é fora do servidor, quando vai dar entrevista, que ele fala as doideiras dele, porque para mim o lado mais difícil dele é esse lado emocional, o pós jogo. Mas, como jogador, a frieza que eu vejo que ele tem dentro do servidor, para a posição que joga, é algo muito diferenciado. Não daria para não trazer ele. Quando fui conversar com ele, ele estava tão confiante, do tipo assim: não tava confiante de que eu ia chamar ele; ele tava confiante do tipo: 'Mano, faz o seguinte, se quiser botar qualquer outro cara, bota, e a gente briga pela posição aí, e você vê o que é melhor pra você'. Eu respeitei ainda mais ele depois que ele aceitou isso porque, naturalmente, eu acho que ele já teria a vaga pela performance e pela experiência. É um campeonato curto. Eu não verbalizei isso para ele, mas, na minha cabeça, eu precisava de um cara já experiente, que eu não precisasse estar orientando ele: 'Pô, olha, quando a gente vai fazendo esse movimento de mapa, não se mata'. Eu não tenho que guiar o jogador nesse momento. Eu acho que isso é muito decisivo porque me permite me preocupar com outras coisas. Então, naturalmente, ele já seria o cara da posição. Só que ele teve o culhão de falar: 'Não, beleza, vamos brigar pela posição aí'. Então eu gosto disso. Eu acho que o jogador tem atitude, mas tem que mostrar isso dentro do servidor. Então é basicamente isso”.
➡ luk xo
shaW: “É difícil falar, porque as pessoas sempre acham que a avaliação tem relação com amizade. E existe isso em algum nível, realmente. Só que, o que eu vejo no luk xo, vou descaracterizar o jogador que é meu amigo fora do servidor, é que ele é um garoto muito dedicado. É um garoto que tem rotina, que consegue expressar a dedicação que tem fora do servidor e mostrar isso dentro do servidor. Só que eu ainda acho que ele está em uma curva de aprendizado para filtrar algumas coisas dentro do jogo dele. Ele é extremamente agressivo. Consegue criar situações de round muito improváveis. Tem muita mira. Então, decidir entre ele e outro jogador... porque, assim, ele está muito bem servido de Sentinela no país. Então, decidir entre ele e outro Sentinela envolve eu entender como esse cara é sob pressão. Como eu trabalhei com ele durante dois anos, eu sei como ele age sob pressão, como joga sob pressão e como enxerga o jogo. Eu entendo essas nuances. Ele é um cara que eu consigo ver brigando pela posição de Sentinela com qualquer jogador do mundo. Basta ter um período bom com o time para que as pessoas entendam o quão impactante ele pode ser. Acho que o que acontece às vezes é que ele acaba assumindo a responsabilidade de carregar a equipe, e, quando você é Sentinela, essa não deveria ser sua responsabilidade, esse é um plus. Então eu vejo nele um jogador muito agressivo, muito intuitivo. Às vezes, ele é menos protocolar em relação a alguns fundamentos e se apoia mais no instinto do que em um jogo cerebral. Mas é como se eu estivesse vendo... sei lá, se eu fosse comparar isso com futebol para alguém entender, é como se ele viesse em uma geração em que ele é o Lamine Yamal na posição dele, só que, às vezes, ele não está jogando com o melhor time. Mas eu vejo muito potencial nele e não podia descartar isso. Eu preciso disso daqui, e ele já vem apresentando, mesmo perdendo, boas performances. Ele vinha apresentando boas performances e um nível consistente. Então minha escolha foi muito baseada nisso”.
➡ spikeziN e Sato
shaW: “Vou começar pelo spikeziN porque eu nunca trabalhei com ele, mas sempre quis. Ele deixou de vir jogar comigo [na FURIA] esse ano. Ele foi jogar com os amigos [na Leviatán] e falou: 'shaW, queria muito trabalhar com você, mas eu quero jogar com meus amigos'. Então, eu respeito muito isso. Respeito quem tem as próprias ideias e acredita nas próprias escolhas. O que eu vejo no spikeziN? Ele faz parte dessa geração de jogadores que nasceram para o jogo. Qualquer role que ele fizer, ele vai conseguir fazer com excelência porque tem alguns agentes que ele coloca no repertório dele que são absurdos. Ele não é só bom, ele é absolutamente diferenciado. Jogando de Neon, esquece. Ele faz chover. Ele dominou esse último Masters. Ele joga muito bem de KAY/O, joga muito bem de Breach, joga muito bem de Deadlock. Então, se eu preciso jogar um meta em que eu não tenho dois Iniciadores, ele é um jogador que eu posso usar. Se eu tenho um meta em que eu preciso jogar com dois Duelistas, ele também é um jogador que eu posso usar. Então, para diferentes metas que eu precise, eu sei que posso contar com ele, porque ele está girando posições dentro do time. Assim que eu saí do nome do arT, o segundo nome que veio claramente à minha cabeça foi: 'Eu preciso ter ele [spikeziN]'. Eu não sei qual vai ser o meta inteiro, tenho minhas ideias obviamente, mas eu preciso saber que tenho ele pela versatilidade que apresenta. E aí vem mais esse pacote: energia boa, clima bom, bom de grupo. Em um campeonato de tiro curto, eu sei que ele jamais vai ser um cara que vai brigar com a equipe ou criar conflito. Então o kit dele vale muito”.
“E aí a gente veio para o Sato. Trabalhei com ele por dois anos. Não é porque eu trabalhei com ele que eu vou falar tão bem. Eu trabalhei com diversas pessoas. Mas, quando eu falo dele, é porque ele é um garoto diferente. O jeito que ele trata a rotina dele, o jeito que ele leva a vida... tudo é feito para que o VALORANT funcione. Ele abre mão de namorada, abre mão de tudo. E, depois desse Kickoff, quando surgiu a oportunidade e tal, as pessoas não falavam muito nele porque a Leviatán estava vindo de um período ruim. As pessoas esqueciam que ele tinha feito uma offseason muito boa, sendo campeão na China, e ele ainda estava tentando se encontrar dentro do time, entendendo como poderia ser mais útil. Aí ele começou a jogar de Phoenix. Ele falou: 'Vou quebrar jogando de Phoenix'. E, de fato, começou a colocar a cara dele no jogo ali. É um jogador que confio muito nele. Eu sei que, se eu trocar ele de um Duelista para outro, ele vai continuar fazendo acontecer. Se tiver que fazer Raze, ele vai fazer Raze. Se tiver que fazer Jett, ele vai fazer Jett. Eu sei que, com diferentes Duelistas, ele consegue apresentar altas performances. Por exemplo, eu só não acho que ele é a Neon do time hoje porque ele tem um alienígena [spikeziN] jogando de Neon. Então ele abre mão do próprio jogo para deixar outro cara jogar. E ele se provou, além de tudo, muito flex nesses últimos dois meses. Então não faria sentido para mim ter ele de fora porque, como a gente vai ter um ano muito longo, eu preciso agora focar em jogadores que eu sei que são bons, confiáveis, talentosos, que aguentam pressão e também têm uma boa pool de agentes. A pool de agentes pesa muito. No momento em que você estabelece o jogo, você pensa: 'Ah, eu acho que essa composição aqui vai fazer sentido'. Às vezes, a composição não funciona porque alguém não está adaptado. Então, quando está todo mundo mais ou menos adaptado e tem conforto com os agentes, eu acho que facilita. E eu acho que eles implementaram isso. O spike implementou mais agentes. No geral, todos os jogadores que foram convocados melhoraram nesse aspecto. Acho que talvez o Less e o aspas não tenham implementado tanto a pool de agentes, mas, em geral, o resto implementou bons agentes”.
➡ cortezia
shaW: “Primeira coisa: de todas as pessoas com quem eu conversei em relação à seleção, ele [cortezia] foi a única que veio até mim e perguntou se eu tinha interesse em chamá-lo para o time. É um garoto que eu respeito muito. O fato de ele acreditar nele mesmo, no sonho dele, e ter vindo falar comigo é uma parada que me faz respeitá-lo ainda mais. Não vou mentir para você: tem dias que eu acordo e penso que talvez eu tivesse tido uma outra decisão. Mas, de fato, eu acho que o que pesou muito para mim ao longo dessa escolha foi ter trabalhado com o jogador. Eu não acho que ele competia com o Less porque eu acho que o Less, na posição dele, é um alienígena. Então eu acho que ele não competia com ele, por algumas qualidades que eu vejo no Less que eu acho que o cortezia não tem. O jogo agressivo que, às vezes, o Less apresenta quando precisa jogar dessa forma. Então esse fator já coloca o Less em uma prateleira um pouco diferente. Mas o cortezia, eu só não o trouxe para jogar porque, na minha cabeça, eu já vi o luk xo jogando com alguns outros agentes e tendo performances com alguns agentes que, por exemplo, o cortezia não tinha mostrado. Então, por exemplo, eu já vi ele jogando de Harbor em alto nível, jogando bem. Eu vi o luk xo mostrando um estilo um pouco mais agressivo. Eu diria que esse é um jogador que, às vezes, vai ser mais playmaker do que um jogador que espera pelo time. Então algumas qualidades que eu vi em certos jogadores pesaram mais na minha decisão, principalmente esse coeficiente agressivo um pouco maior. Eu não conheço o cortezia agora da liga internacional. Já joguei contra ele no Brasil. Já perdi para ele algumas vezes e também já ganhei dele algumas vezes. Então eu sei qual é o jogo dele. É um jogador extremamente estável, muito bom para entregar performance, só que ele tem um estilo um pouco diferente dos outros dois Sentinelas. Não que seja melhor nem pior. Acho que, em algumas coisas, é melhor; em outras, é pior. Mas o que, naquele momento, fazia mais sentido para mim era isso. Eu queria ter um Sentinela com quem eu não precisasse me preocupar em explicar como ele precisa ser agressivo em determinadas posições quando a gente vai executar certos planos. Então, na minha cabeça, era um cara com quem eu já trabalhei e sei que faz isso muito bem. E, na outra ponta, tinha um alienígena [Less] que é impossível eu precisar explicar isso para ele. Então a decisão ficou muito mais nisso. Não foi uma decisão fácil. Tanto que a posição do Sentinela foi a última vaga que eu preenchi. Eu não estava com ela definida até os 45 do segundo tempo, basicamente”.
➡ blowz
shaW: “O blowz é mais do que um jogador que competiu contra mim. Eu acompanho a carreira dele. Quando ele começou a jogar na Leviatán, nesse time principal, eu ainda sentia que ele estava tentando se adaptar ao time. Então eu via um jogador que, numa escala de 0 a 10, era nota 6. Era essa a sensação que eu tinha. Ele ainda não era o jogador que é hoje. O time também não estava performando na melhor performance, mas eu sabia que ele, em algum momento, chegaria lá. Para mim, isso era uma certeza. Mas esse foi um dos critérios que o diferenciaram no momento da escolha. Eu precisava de alguém muito experiente para a função. Não só pela maneira como vai jogar dentro do servidor, mas também pelas coisas que vão acontecer fora dele porque, na minha cabeça, imagina que eu preciso colocar o Sato, o spikeziN e também o blowz. Seria muita juventude reunida. Talvez eles performassem muito bem nos respectivos times, mas ainda assim seriam muitos jogadores jovens. Talvez houvesse dificuldades de adaptação à dinâmica do grupo. Agora imagina um time com aspas, spikeziN, arT, blowz e Less? Aí muda tudo. Mas o meu medo era outro. O blowz é um garoto muito novo. E se ele não se desse bem com os jogadores mais velhos? Como ele se portaria em um jogo difícil de playoff? Ele ainda não tinha vivido esses playoffs. Então, óbvio que, olhando hoje, sem falsa modéstia, existe uma grande chance de que, se eu pudesse mudar a lista, talvez eu mudasse a última vaga e colocasse ele. Obviamente, falei aqui que eu gostaria de ter levado o cortezia, mas acho que a única pessoa que merece ainda mais do que todos os outros nomes citados hoje é o blowz porque ele joga em uma função em que, durante muitos anos, basicamente só o Sacy foi muito bom. E hoje eu acho que o blowz se consolidou. O que eu vi nele nesse Masters foi um jogador de performances muito sólidas. Mas, naquele momento em que a seleção foi escolhida, ele ainda estava em um período de afirmação dentro do time. E o meu maior medo era colocar um jogador em um campeonato pesado para disputar playoffs sem que ele tivesse vivido essa experiência antes. Viver um playoff muda tudo. Você entra para jogar um playoff e sente uma atmosfera completamente diferente. Quando o time está confiante, é uma sensação diferente de qualquer outra. Então eu precisava dessa experiência. Por isso, eu acho que ele é um moleque merecedor demais. Ele já provou isso. Mas, para mim, a questão toda estava relacionada ao momento em que a escolha foi feita”.
➡ dgzin
shaW: “O dgzin foi um nome que eu cogitei. Quando fui conversar com o aspas, me passou pela cabeça o seguinte: existe um cenário em que ele [aspas] não aceita jogar. Se isso acontecesse, quem seria a outra pessoa que eu levaria? Com certeza seria o dg. Acho que ele é um garoto que tem performances absurdas, uma das melhores noções de posicionamento para trocas do jogo. É um moleque muito diferenciado. Só que acho que o problema dele é mais o retrospecto que vem do ano passado para este ano. Eu não acho que ele merecia ter saído da LOUD. Não me compete julgar isso, mas acho que, se ele tivesse ficado e jogado mais aquele outro split, teria botado ainda mais o jogo dele e fortalecido o nome dele. Mas quando ele saiu, o Sato entrou na liga, fez um bom Split 2 e terminou o ano como um dos principais rookies do Americas, junto com o skuba. Depois ele entrou na EG, mas o time não jogou bem o Kickoff. Então, quando você está em um time cuja performance coletiva não é boa, mesmo que a sua performance individual seja boa, ela acaba ficando ofuscada. Não tem como negar. É como colocar o Zidane para jogar no XV de Piracicaba. Ele vai fazer chover, mas sempre vai existir um limite para o quanto consegue carregar. Então eu sinto que isso acabou acontecendo tanto com ele quanto com o luk xo. E esse é um problema deles, não meu. Cada um escolhe o time em que quer estar. Não estou dizendo que seja uma escolha ruim ou que eles tenham desempenhado mal, mas existe um contexto. Então acho que passa muito por isso. Mas também existem posições no Brasil em que temos muita concorrência. Sentinela e Controlador, por exemplo, não têm tantos nomes, mas muitos Sentinelas conseguem desempenhar também a função de Controlador. Então eu tentei priorizar jogadores que tinham flexibilidade e que eu já conhecia em momentos de pressão. Conheço o Sato, conheço o luk xo, conheço o Less. No fim, todos os nomes foram pensados também sob essa ótica. Chegou uma fase decisiva? Eles têm experiência para vencer. É isso”.
▶ Veja a entrevista completa com shaW em vídeo:
➡ Esports Nation Cup (ENC) 2026
O Brasil de shaW é companhia está classificado para a primeira edição da ENC de VALORANT, que acontecerá entre os dias 8 e 15 de novembro deste ano, na cidade de Riade, na Arábia Saudita. O torneio reunirá 32 seleções, cada uma formada pelos cinco principais jogadores de seu país, na briga pelo título.
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