Diretores de times criticam modelo de parceria do VCT 2027
A escolha das equipes parceiras do VALORANT Champions Tour (VCT) para 2027 não agradou a todos no cenário competitivo de VALORANT. Após a Riot Games liberar, no último domingo (18), que todos os selecionados possam anunciar que foram aprovados no processo, donos e diretores de organizações que não foram selecionadas questionaram se vale a pena seguir na modalidade diante dos altos custos e dos riscos de resultados negativos (confira abaixo).
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Em uma publicação no X (antigo Twitter), Ludwig Ahgren, co-proprietário da Shopify Rebellion, foi um dos executivos que questionou se ainda vale a pena investir no VALORANT a longo prazo. O co-proprietário argumentou que uma organização pode montar um time de baixo custo, alcançar bons resultados e até se destacar em um torneio internacional, mas perder os jogadores para uma equipe parceira.
“Para esclarecer: A Riot mudou a forma como o VALORANT funciona para que qualquer equipe possa disputar e vencer um torneio internacional. Mas escolheu quatro equipes da América do Norte para serem parceiras. Essas equipes recebem milhões de dólares e ainda têm uma skin no jogo (elas recebem uma porcentagem das vendas). Se uma organização que não é parceira montar uma equipe de baixo custo que surpreenda a todos e tenha um desempenho dominante em um evento internacional, os jogadores serão contratados por uma organização parceira. Isso aconteceu conosco, quando brawk e mada foram para a NRG. Está acontecendo com a C9, que acabou de perder a parceria e já está permitindo que seus jogadores ouçam propostas de outras equipes. Simplesmente não sei se vale a pena competir no cenário de esports a longo prazo, em comparação com investir em um esporte eletrônico que tenha um sistema realmente aberto”.
A publicação recebeu uma resposta de Marco Mereu, fundador da M80. O executivo concordou com as críticas e apresentou uma estimativa dos gastos para manter uma equipe competitiva na América do Norte. Segundo ele, sustentar um elenco como o que venceu duas etapas do VALORANT Challengers norte-americano em 2026 custa cerca de US$ 500 mil por ano (cerca de R$ 2,5 milhões na cotação atual).
“Tudo o que o Ludwig está dizendo aqui é 100% justo e preciso. Vamos fazer as contas:
1. Manter uma equipe de VALORANT Challengers, como o elenco da M80 de 2026, que venceu a liga norte-americana, custaria aproximadamente US$ 500 mil por ano, mais ou menos. Isso inclui os salários mensais de cinco jogadores, um treinador principal e um auxiliar/analista, além de viagens e outros custos. Para levarmos esse elenco para o novo ecossistema e competirmos, precisaríamos disputar todas as Copas e nos classificar para pelo menos um Masters apenas para empatar o investimento no jogo. Se não nos classificarmos para sequer uma Copa, teremos um prejuízo de seis dígitos. Se ficarmos de fora de um Masters, o rombo será ainda maior. A maioria das equipes não pode se dar ao luxo de correr esse risco para obter um retorno tão pequeno. É um suicídio financeiro. Poderíamos simplesmente reduzir drasticamente os salários, mas, nesse caso, estaríamos apenas entrando em uma corrida para ver quem paga menos. Jogar no VALORANT de Tier 1 é um trabalho em tempo integral, e é preciso pagar salários compatíveis com isso. Prefiro fazer outra coisa a pagar aos jogadores uma fração do valor que o tempo deles merece. É triste, porque muitos jogadores de VALORANT de Tier 1 na América do Norte vão perder oportunidades de construir uma carreira. Sinceramente, é péssimo ter que escrever isso.
2. Integridade competitiva. A liga das Américas terá oito equipes, e não deveria haver dúvidas quanto a isso. Qualquer equipe que não seja parceira e consiga algum sucesso ou desenvolva um talento excepcional perderá esses jogadores para equipes parceiras na primeira pausa da temporada e terá que começar a reconstruir a sinergia do elenco. Os agentes insistirão para que seus jogadores sejam transferidos para equipes parceiras e, se você tentar mantê-los, estará impedindo o desenvolvimento deles. Isso é compreensível, já que os melhores salários e as melhores oportunidades financeiras estarão disponíveis apenas nas equipes parceiras. Esse fator, ainda mais do que a questão financeira, é o verdadeiro motivo pelo qual a M80 não competirá no VALORANT em 2027. O cenário simplesmente não oferece condições iguais para todos, e não é esse tipo de ambiente que nos interessa. Entrei no cenário de esports por causa do VALORANT. Lançamos a M80 com o anúncio de um elenco de VALORANT. Parte meu coração ter que sair. Amamos o jogo e a comunidade e adoraríamos voltar imediatamente quando as coisas fizerem mais sentido. Espero ansiosamente que esse dia chegue”.
Max Bromel, do Eintracht Frankfurt, também comentou a decisão da Riot Games. O executivo afirmou que entende a escolha das oito equipes sob uma perspectiva comercial, mas questionou a ausência de um dos maiores mercados europeus entre os selecionados.
“Meus dois centavos sobre nossa candidatura ao programa do VCT EMEA: Quando o processo de candidatura começou, em abril deste ano, o dia da decisão ainda parecia distante. Agora, quase meio ano, muitas noites em claro e mais de 100 páginas de documentos de candidatura depois, a notícia decisiva chegou hoje, às 2h. “Felizmente”, o jet lag já estava me mantendo acordado mesmo. Olhando para as oito equipes selecionadas, consigo entender a decisão do ponto de vista racional dos negócios. O foco está em maximizar o alcance, algo indispensável para o desenvolvimento de um ecossistema em tempos de economia da atenção. Nesse aspecto, ainda não conseguimos competir. Ainda assim, uma questão permanece para mim: por que um dos maiores mercados da Europa foi deixado de fora novamente? No entanto, também não gostaria de ter que responder quem deveria ter ficado de fora no lugar. Como conversamos hoje com a equipe, nosso olhar já está voltado para o futuro! VALORANT continua sendo uma área estratégica para nós, e planejamos desde o início os dois cenários possíveis. Principalmente nossa trajetória no VCT durante o verão nos deu muita confiança para o próximo ano. Questões como infraestrutura e estabilidade, com as quais queríamos nos destacar, não eram apenas frases de marketing para uma apresentação. São uma realidade no nosso dia a dia, e é com isso que queremos fazer a diferença. Afinal, nesse novo sistema, a parceria oferece, em um primeiro momento, principalmente uma vantagem financeira. E vimos bem na Stage 2 como algumas equipes lidaram com isso no passado”.
Para contextualizar, com o novo formato semiaberto, o número de equipes parceiras caiu de 12 para oito por região em relação ao antigo sistema de franquias. O modelo começa em 2027 e terá duração de dois anos, mas as equipes que ficarem de fora do programa ainda poderão buscar vagas nos torneios do circuito.
O novo VCT elimina a divisão entre equipes franqueadas e não franqueadas. A partir de 2027, todas passam a competir no mesmo nível, sem uma liga fixa como ponto de partida. O calendário deixa de ser estruturado em etapas fixas e passa a girar em torno de torneios ao longo da temporada. Nesse novo formato, equipes não parceiras começam nas qualificatórias abertas, enquanto as organizações parceiras entram em fases mais avançadas da disputa. Esses caminhos se encontram nas Copas do VCT, que passam a ser o principal ponto de acesso para os Masters e para o Champions.
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